As vozes não mentiram

Nesta semana  a Liturgia celebra a memória de Santa Joana d’Arc, a virgem heroína que foi instrumento da Providência para a libertação da França ante a ocupação inglesa no século XV.

Libertação, pois pouco tempo após, a Inglaterra romperia com a Igreja, aderindo aos erros de Lutero e se dobraria ante os desvarios de um rei libertino, Henrique VIII. Continue reading

SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA

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Por volta do ano de 1193 em Lisboa, Portugal, nasceu Fernando Bulhões que se tornaria depois Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, como costumam chamá-lo os portugueses. Aos quinze anos, tendo ouvido com nitidez o chamado de Deus para a vida religiosa, entrou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora.

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MARTA ou MARIA?

Observando um movimentado “calçadão” no centro da cidade, dei-me conta de uma realidade — talvez triste realidade: cada pessoa era um isolado em meio à multidão. Somava assim duas situações que, mal vividas, podem não ser benfazejas: o excesso de companhia e a solidão mal aproveitável.

Quantos ali gostariam de ter uma boa companhia? Ou estarem sós, pensando ou admirando algo diferente do banal de todos os dias?

Ocorreu-me então a ideia de transcrever observações do Mons. João Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho, a propósito de uma situação análoga e muito esclarecedora que tem como tema a santa que a Igreja comemora hoje: Santa Marta, irmã de Lázaro —o ressuscitado por Jesus — e sua irmã Maria Madalena.

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53 ANOS DEPOIS

Eram séculos de Fé. E por isso de heroísmo, de santas e ousadas aventuras.

Num desses lances, a esquadra de Cabral descobre o nosso Brasil, que era, na expressão de Pero Vaz de Caminha uma “terra chã e formosa” portadora de enormes esperanças para o futuro.

A maneira como o escrivão da armada encerra sua carta ao Rei mostra quanto a Fé dava alento a essas esperanças:

“… o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

As “sementes” logo chegaram: missionários de várias ordens, especialmente jesuítas.

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Amor com amor se paga

É muito conhecida a recomendação de Jesus “Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. O próprio Jesus agiu assim e de modo tão sublime que supera sua própria recomendação.

Vejamos uma dessas vezes.

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Amizade e santidade – Os sete fundadores

Sete Santos Fundadores dos Servitas – 17 de fevereiro
A amizade é um dom de Deus. Este dom é ainda maior quando possibilita aos amigos o contato mais íntimo com Deus a exemplo dos fundadores dos Servos de Maria. Juntos, eles dedicaram suas vidas no serviço aos mais pobres, iluminados por nossa Mãe Maria. Continue reading

Santo da Semana – São Paulo Miki e seus companheiros martires – 6 de fevereiro

(+ Nagazaki, Japão, 1597)

No final da Segunda Guerra Mundial, Hiroshima e Nagasaki, duas importantes cidades Japonesas, sofreram um ataque com bombas nucleares. Os EUA, por meio da ação militar da Força Aérea, sob ordens do presidente norte-americano Harry S. Truman, bombardearam as duas cidades japonesas nos dias 6 e 9 de agosto de 1945.
Até os dias de hoje, as duas bombas foram as únicas armas nucleares utilizadas de fato numa guerra. Estima-se que cerca de 140.000 pessoas morreram em Hiroshima e 80.000 em Nagasaki, além das mortes ocorridas posteriormente aos ataques em decorrência da exposição radioativa.
A maioria dos mortos era composta por civis, mulheres, idosos e crianças, pessoas que não estavam combatendo na guerra.
Essa é uma terrível mancha na historia de Hiroshima e Nagasaki( cidades aliás, por ocasião da 2°Guerra, de grande catolicidade no Japão) que nunca poderemos esquecer e é sem sombra de dúvida , uma vergonha para a nossa história.
Mas 348 anos antes da bomba, Nagazaki foi palco de outro terrível acontecimento, pouco conhecido ou raramente relatado pelos meios de comunicação:  O martírio de São Paulo Miki e seus companheiros, por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, e por amor ao seu Corpo Místico, a Igreja.
O cristianismo foi levado para o Japão por São Francisco Xavier em 1549, chegando a ter milhares de seguidores.
Mas se a catequese obteve êxito não foi somente pelo árduo, sério e respeitoso trabalho dos jesuítas em solo japonês. Foi também graças à coragem dos catequistas locais, como Paulo Miki e seus jovens companheiros.
Miki nasceu em 1564,em Tsunokuni no Japão. Filho de pais ricos foi educado no colégio jesuíta em Anziquiama. A convivência do colégio logo despertou em Paulo o desejo de se juntar à Companhia de Jesus e assim o fez. Tornou-se o primeiro sacerdote jesuíta em sua pátria, conquistando inúmeras conversões com humildade e paciência.
O imperador Toyotomi Hideyoshi, era simpatizante do catolicismo mas, de uma hora para outra, se tornou seu feroz opositor. Por causa da conquista da Coréia, o Japão rompeu com a Espanha em particular e com o Ocidente em geral, motivando uma perseguição contra todos os cristãos. Assim a religião cristã foi proibida no Japão.
Os católicos foram expulsos do país, mas muitos resistiram e ficaram. Só que a repressão não demorou.
São Paulo Miki e os seus 24 companheiros foram feitos prisioneiros pelos soldados de Toyotomi Hideyoshi, submetidos a terríveis humilhações e torturas públicas. Levados em cortejo foram alvo de violência e zombaria pelas ruas e estradas, enquanto seguiam para o local onde seriam executados. Alguns dos companheiros de Paulo Miki eram muito jovens, adolescentes ainda, mas enfrentaram a pena de morte com a mesma coragem do líder. Tomás Cozaki tinha, por exemplo, quatorze anos; Antônio, treze anos e Luis Ibaraki tinha só onze anos de idade.
Foram crucificados em Nagasaki, em 1597, na colina Nishizaka. Morreram cantando o Te Deum. Antes de morrer, São Paulo Miki ainda discursou dizendo: “Agora que cheguei a este ponto extremo da minha vida, nenhum de vós há-de acreditar que eu queira esconder a verdade. Declaro-vos portanto que não há outro caminho para a salvação do que aquele que possuem os cristãos. E como este caminho me ensina a perdoar aos inimigos e a todos os que me ofenderam, eu livremente perdoo ao imperador e a todos os autores da minha morte e peço a todos que recebam o batismo cristão”.
Os crentes se dispersaram para escapar dos massacres e só a partir do momento em que o Japão se abriu novamente aos europeus, os missionários voltaram, as igrejas voltaram a ser construídas e os cristãos do Império do Sol Nascente puderam se reencontrar com sua Santa Mãe, a Igreja.

Paulo Miki e seus companheiros foram canonizados pelo Papa Pio IX, em 1862.

Solange Almeida Soares